Dorme, que a vida é nada – poema de Fernando Pessoa

Dorme, que a vida é nada!
Dorme, que tudo é vão!
Se alguém achou a estrada,
Achou-a em confusão,
Com a alma enganada.

Não há lugar nem dia
Para quem quer achar,
Nem paz nem alegria
Para quem, por amar,
Em quem ama confia.

Melhor entre onde os ramos
Tecem dosséis sem ser
Ficar como ficamos,
Sem pensar nem querer.
Dando o que nunca damos.

Um dos autores mais brilhantes de toda a literatura de língua portuguesa, Fernando Pessoa (1888 —1935) foi um escritor e crítico literário nascido em Lisboa que é lembrado sobretudo pela vastidão da sua poesia.

Grande parte das suas composições eram assinadas por heterônimos, reproduzindo diversas influências literárias, com destaque para o modernismo. A sua lírica também era atravessada, frequentemente, por reflexões existenciais pessimistas e disfóricas.

Aqui, o eu-lírico é alguém sem esperança, rendido ao absurdo e à fragilidade da vida. Na sua opinião, já não vale a pena tentar mais nada, nem sequer o amor, porque tudo está condenado à partida.

Fonte Cultura Genial

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