Semana de arte moderna chega ao seu centenário

“A Semana foi organizada por um grupo de artistas e escritores que vinha se articulando em torno de ideias e planos de renovação do ambiente artístico e cultural. A São Paulo na qual viviam era uma cidade emergente, que experimentava uma notável aceleração de sua economia sob o impulso da abundante riqueza do café.”

Operários’, pintura à óleo de Tarsila do Amaral de 1933 – Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

Inaugurada no Theatro Municipal de São Paulo, em 13 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna chega a seu centenário num momento em que a cultura e valores estimados pelos modernistas, como a diversidade, a liberdade e a educação, são alvos frequentes de ataques retrógrados de forças políticas instaladas no poder.

A Semana foi organizada por um grupo de artistas e escritores que vinha se articulando em torno de ideias e planos de renovação do ambiente artístico e cultural. A São Paulo na qual viviam era uma cidade emergente, que experimentava uma notável aceleração de sua economia sob o impulso da abundante riqueza do café.

Prefigurava-se naqueles tempos a formação de uma metrópole industrial que estaria destinada, na visão de sua elite, e também dos jovens modernistas, a exercer um papel modernizante na esfera nacional, não apenas como polo econômico, mas também cultural.

Comemorava-se em 1922 o centenário da Independência, e o festival modernista que reuniu nomes como Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti era uma oportunidade de lançar da capital paulista uma plataforma para o futuro.

Não por acaso a Semana contou com o apoio decisivo de um empresário como Paulo Prado, esclarecido e cosmopolita, para financiar o evento destinado a questionar padrões conservadores.

Há, naturalmente, muitos aspectos a questionar no movimento modernista de São Paulo, desde episódios das biografias de seus participantes a temas polêmicos ligados à sua atuação pública.

Não há dúvida, contudo, de que a aventura modernista plantada no Municipal tinha em suas sementes um projeto —ou um sonho— de país, no qual a diversidade racial, a potência da natureza e a extraordinária riqueza cultural se congregavam de maneira estimulante.

O método do movimento de olhar com admiração para o Brasil sem abrir mão de uma perspectiva atualizada e internacionalista (a “antropofagia”, como pregava um manifesto) reverberou em momentos luminosos de nosso século 20, como a bossa nova, o tropicalismo e o cinema novo, e continua vivo ainda hoje.

As rememorações que ocorrem por ocasião do centenário atestam o interesse do que se passou naqueles tempos e podem ajudar a iluminar o debate do Brasil de hoje.

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

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