Wilmar Roldán: o Sérgio Moro do apito – texto de Juca Kfouri

“Que Roldán não vá ao Qatar, que Moro veja a Copa de volta a Washington, como advogado da empresa americana que tanto beneficiou, e que Tite ouse em nome da alegria.”

Wilmar Roldan, de camiseta vermelha, olha o monitor
Wilmar Roldan consulta o monitor de vídeo durante a tumultuada partida pelas Eliminatórias – Rodrigo Buendia – 27.jan.22/Reuters

Por Juca Kfouri

palhaçada do juiz Wilmar Roldán no insosso 1 a 1 de Equador e Brasil é digna de entrar para o Livro de Recordes.

Só o brasileiro Sergio Moro para concorrer com ele em matéria de decisões anuladas por órgãos superiores, o VAR no caso do colombiano, o STF no do magistrado de Maringá.

Verdade que em ambos os casos os recursos serviram para reestabelecer a justiça, porque, a exemplo das sentenças de um, as trapalhadas do outro puderam ser corrigidas, embora as do assoprador de apito não tenham causado os prejuízos insanáveis pagos pelo Brasil na eleição de 2018.

Também os distingue o fato de Roldán atuar de vermelho e Moro, de preto, como autêntico personagem dos filmes de Francis Ford Coppola.

É o que dá quando coadjuvantes trocam o apito pelo holofote, a toga pelas algemas.

Ao marcar dois pênaltis e expulsar duas vezes o goleiro Alisson, e ter de voltar atrás nas quatro decisões, o despreparado árbitro se suicidou publicamente no estádio Casa Blanca, transformado em picadeiro, na altitude de Quito.

Quem sabe Roldán tenha a desculpa da pouca oxigenação do cérebro causada pelo ar rarefeito da capital equatoriana, diferentemente das condições climáticas de Curitiba.

Ao menos ele transformou um jogo opaco em algo inesquecível pelas lambanças cometidas.

Como teria sido sem tantas idas e vindas jamais saberemos, mesmo que mais uma vez Tite tenha preferido a segurança à ousadia, ao tirar Philippe Coutinho quando da expulsão do estabanado lateral direito Emerson Royal.

A seleção brasileira vencia e marchava para mais um resultado positivo, apesar de jogar mal e de perder quase todas as disputas das bolas aéreas na defesa, falhas que acabaram por permitir o

Mas a 31ª partida de invencibilidade nas Eliminatórias sul-americanas é comemorada, mais uma marca dessas inúteis a gosto do treinador, que iguala a campanha entre 1954 e 1993.

Não é nada, não é nada, não é nada mesmo, se a rara leitora e o raro leitor pensarem em qualidade de futebol.

Há que se dar o desconto dos 2.850 metros de Quito, do gramado duro e seco e da interferência caótica da arbitragem, o que não esconde o fato de o jogo apresentado pela seleção ser essencialmente chato, muito chato de se ver.

A ausência de Neymar colabora para que não se tenha nem sequer a expectativa de alguma jogada fora da curva, mesmo em se tratando de partida com ares de amistoso para os brasileiros já classificados para a Copa do Mundo no Qatar.

Ao causar gargalhadas, espanto e indignação em quem perdeu tempo ao acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, mais no VAR do que em campo, Roldán, aliado ao horário das 18h, impediu o sono inevitável do torcedor.

De resto, está claro o problema de achar um lateral direito para não precisar recorrer novamente ao veterano Daniel Alves, assim como será ótimo se Guilherme Arana vier a se firmar na lateral esquerda.

Dos jogadores de linha, titulares indiscutíveis são, no máximo, quatro: Thiago Silva, Marquinhos, Casemiro e Neymar, prova de que há espaço para muitas experiências.

Daqui para 21 de novembro, data da abertura da Copa, temos menos de dez meses e poucos jogos para achar o time.

Que Roldán não vá ao Qatar, que Moro veja a Copa de volta a Washington, como advogado da empresa americana que tanto beneficiou, e que Tite ouse em nome da alegria.

Juca KfouriJornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP.

Texto publicado originalmente no jornal FOLHA DE SÃO PAULO.

Este é um texto de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do blog Traço de União.

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