O ANIMAL DA FLORESTA – Poema de Thiago de Mello


Thiago de Mello

De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração.

Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.


Madeira dói?

Pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.

Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.


No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.


Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.

Sobre joaoantonio60

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