“O azul de Ana Helena” – crônica de Gabriel Chalita

“E, então, conheci Ana Helena. Era um dia acalorado no tempo e nas emoções. Havia sabores antagônicos. Vozes que diziam o certo e vozes que confundiam. E, entre essas vozes, a voz de Ana Helena era calmaria. O riso, ao lado do marido Bernardo, esticava uma tenda de afetos para quem quisesse se aconchegar. É linda Ana Helena, beleza expandida por bondades.”

O AZUL DE ANA HELENA

Por Gabriel Chalita

O mar oferece azul às almas. Algumas aceitam; outras, não. 

Sempre soube disso, do dual do humano. Generosos caminham em calçadas em que caminham, também, os perversos, os mentirosos, os desonestos. 

Sempre soube do vazio que há em interiores. E isso jamais roubou de mim a determinação de prosseguir amando.

E, então, conheci Ana Helena. Era um dia acalorado no tempo e nas emoções. Havia sabores antagônicos. Vozes que diziam o certo e vozes que confundiam. E, entre essas vozes, a voz de Ana Helena era calmaria. O riso, ao lado do marido Bernardo, esticava uma tenda de afetos para quem quisesse se aconchegar. É linda Ana Helena, beleza expandida por bondades.

O mar, o que oferece azul às almas, era visto do outro lado. Ao dia desinteressava qualquer armação de incorretos humanos. Havia sol e havia calor. E as imagens sujas eram esquecidas no deslumbrante pôr do sol.

A filha de Ana Helena e Bernardo brincava de se dizer cantora ou professora ou bailarina. É o desabrochar de uma vida grávida de possibilidades. Os risos eram risos bons. O azul do vestido de Ana Helena anunciava leveza, enquanto as conversas explicavam aos presentes o prazer do estar. Havia alimentos e pausas. Vez ou outra, adentrava uma nuvem entristecida pela ausência de luz. Os convivas observavam e aguardavam a partida. E respiravam os alívios. 

Quem é o vitorioso e quem é o perdedor?
Foi essa uma pergunta que entrou pela porta e que interpretou alguma dúvida. 
Perdem sempre os descasados com a verdade, perdem sempre os que não oferecem amor, perdem sempre os que incompreendem o justo. Os vitoriosos não desperdiçam os pensamentos em pequenezas. Prosseguem contemplando entardeceres e aguardando o dia que virá depois da noite descansadora de barulhos.

Ana Helena e Bernardo se abraçam e contam histórias do início do amor. Revelam dias de espera, doenças e curativos. Falam em viagens e em imagens que permaneceram. Depois do abraço, oferecem o olhar um ao outro e depois riem da felicidade de, em um mundo tão grande, terem se encontrado.

E eu observo, atento que sou, as conquistas de mais um dia bom. O azul do mar vai deixando de ser visto. É noite. O sol já brinca de iluminar outro canto do mundo.  Vou para casa iluminado. E consciente de que dormirei sem as perturbações da maldade.

Não, não autorizo em mim o que não pertence à natureza que acredito. Sou feito do pó que abastece de vida toda a vida que vive. Agradeço Ana Helena e Bernardo e parto aguardando o reencontro. Quanta vitória há na amizade! O resto é desperdício.

Gabriel Benedito Issaac Chalita, é um advogado, palestrante, professor, escritor. É professor de Filosofia do Direito na Pontifícia Universidade Católica e na Universidade Mackenzie, ambas instituições da cidade de São Paulo.

Sobre joaoantonio60

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