Assis Valente, na marchinha: “Já faz tempo que eu pedi, Mas o meu Papai Noel não vem, Com certeza já morreu, Ou então felicidade, É brinquedo que não tem”.

“Pelo caminho, novos “herodes” vão surgindo sob formas variadas: negacionistas, populistas, autocratas, mercadores da fé, anjos tronchos do Silício, portadores de aporofobia, racistas, misóginos, homofóbicos, xenófobos, discípulos de Procusto, Tânato e Narciso, sabotadores do meio ambiente e da informação.”

A reabertura da Catedral de Saint Albans virou notícia no mundo todo por conta de uma novidade. Trata-se de um quadro da Santa Ceia, em que Jesus é um homem negro.

Da Noite de Natal ao Dia de Reis

Por Valdecir Pascoal

Nestes doze dias que vão da Noite de Natal à Epifania de Reis, o sagrado e o profano se misturam: Menino Jesus, São Nicolau, Papai Noel, família, amigos, reencontros, festas, presentes, luzes, árvores, lembranças da infância, reflexões sobre o que passou e o que virá, recomeços, esperanças renovadas. Para alguns, a magia dessa época é bem ilustrada na valsinha de Octávio Babo Filho, “O Velhinho”: “Como é que Papai Noel, Não se esquece de ninguém, Seja rico, seja pobre, O velhinho sempre vem”. Nem sempre, lembrou Assis Valente, na marchinha “Boas Festas”: “Já faz tempo que eu pedi, Mas o meu Papai Noel não vem, Com certeza já morreu, Ou então felicidade, É brinquedo que não tem”.

     A origem da troca de presentes no período do Natal possui muitas versões. Umas das mais conhecidas remete a São Nicolau, Bispo de Mira (Turquia), que costumava presentear as crianças carentes colocando lembranças nas chaminés das casas. Com o tempo, o nada santo mercado foi forjando a figura do Papai Noel como garoto-propaganda. No entanto, a versão sagrada, por excelência, vem de uma passagem da Bíblia (Mateus 2), quando os Reis Magos presentearam o Menino Jesus com três tesouros: ouro, incenso e mirra. 

    Sendo o espírito destes tempos propício a sonhos, imagino qual o propósito e como seria a peregrinação de Gaspar, Melchior e Baltasar, caso ela ocorresse nos atuais tempos de extremismos, malaise social, pandemia, desemprego e fome. 

Do Oriente, ao verem o sinal da Estrela no Céu, eles partem para encontrar o Menino Jesus. Pelo caminho, novos “herodes” vão surgindo sob formas variadas: negacionistas, populistas, autocratas, mercadores da fé, anjos tronchos do Silício, portadores de aporofobia, racistas, misóginos, homofóbicos, xenófobos, discípulos de Procusto, Tânato e Narciso, sabotadores do meio ambiente e da informação. Com as pedras do caminho afastadas por coragem, sabedoria e paciência, os Reis, enfim, chegam à presença Daquele que, para os Cristãos, é a corporificação do Amor maior. Só que desta vez, além de ouro, incenso e mirra, as circunstâncias exigem que os Sábios ofereçam ao Deus Menino – e, simbolicamente, a toda a humanidade representada por Ele – VACINAS, COMIDA e LIVROS.

      Em uma das obras, o marca-texto indica o poema de Drummond – O Constante Diálogo: “Há tantos diálogos, Diálogo com o ser amado, o semelhante, o diferente, o indiferente, o oposto, o adversário… Diálogo consigo mesmo… Escolhe teu diálogo, e tua melhor palavra, ou teu melhor silêncio. Mesmo no silêncio e com o silêncio, dialogamos”. Feliz 2022! 

Valdecir Pascoal –  Conselheiro do TCE-PE. Foi presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). Autor dos livros: “Uma nova primavera para os Tribunais de Contas” (Fórum) e “Direito Financeiro e Controle Externo”. 

Este é um texto de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do blog Traço de União.

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