Poema Todas as cartas de amor são ridículas poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Os poemas modernistas se revelam pela sua liberdade formal: estrofes e métrica irregulares, ausência de rimas, vocabulário próximo da linguagem coloquial, etc.

A criatividade, em se tratando de versos amorosos, tem um singularidade. No caso do poema “Todas as cartas de amor são ridículas” destaca-se uma ideia repetitiva ao longo da composição como se o poeta quisesse “impor” um ideia aos seus leitores.

Todas as cartas de amor são ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Por que sentir vergonha das palavras ditas em momento de paixão?

Amar é envolver-se, é querer estar perto, é estar consciente de que a razão vai perder terreno para a emoção.

Em “Todas as cartas de amor são ridículas”, o genial Fernando Pessoa, com suas estrofes e métricas irregulares, traça o perfil de um apaixonado ou apaixonada.

Sobre joaoantonio60

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