Chico Science: o homem que veio do futuro

Chico Science

No Recife do fim dos anos 1980, um grupo de jovens passava as tardes ouvindo músicas que não tinham espaço nas rádios pernambucanas, dominadas pelo axé baiano e pelo rock do Sudeste. Vinis recém-lançados em outros países e fitas cassetes raras eram bens preciosos nas mãos de quem ansiava pela troca de informação, escassa na época. Naquele grupo que começava a enfrentar a vida adulta, a união se dava pela apreciação de bandas new wave, pós-punk, hip-hop e funk; discussões sobre literatura e, principalmente, pela junção de mentes inquietas em efervescência.

Do lado de fora, a cidade era um caos. Os índices de qualidade de vida, desemprego e violência não eram favoráveis, e o Estado de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto passava por um marasmo cultural, social e econômico. Nesse contexto, Recife viu nascer o manguebeat, movimento de contracultura que, por meio da mistura de ritmos, mostrava as desigualdades da região. Naquela altura, Pernambuco virava berço de uma figura que rompeu barreiras geográficas e apontou, em sua música, as injustiças sociais testemunhadas por todos. Era Chico Science.

Vinte dois anos após sua morte precoce, a memória de Francisco França continua presente. Apontado como o catalisador do manguebeat, Chico se tornou figura de associação imediata à cena. Hoje, no Recife, além de um memorial e uma estátua em sua homenagem, até um manguezal leva seu nome. “Ele foi um criador, um mestre, um artesão dos sons. Foi como Caetano e Gil na Tropicália, como João Gilberto na Bossa Nova, ou Erasmo e Roberto na Jovem Guarda. Aquele criador timoneiro que, sem estrelismo e com respeito às tradições, dirigiu o barco do manguebeat”, afirma Herom Vargas, autor de Hibridismos musicais de Chico Science & Nação Zumbi (Ateliê, 2007).

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