Texto à senhora Liberdade

Ainda ontem eu a vi passando. Todos reparavam com admiração sua postura leve, seu modo cortês de olhar os semelhantes e seu jeito majestoso de tratar os diferentes.

Parecia não estar preocupada com o tempo, também não se apavorava com as diferenças: aquelas que separam os autoritários dos tolerantes.

Mas o que fascinava o seu auditório de admiradores era o seu jeito de se impor. Determinação, serenidade, bons modos e respeito às diferenças eram qualidades que faziam dela naturalmente compreedida e aceita.

Ela tinha um corpo belo, uma exuberância de fazer inveja. Não era aquele tipo inveja destrutiva, mas sim, uma inveja gostosa, de animar qualquer desalentado com vida em sociedade.

Queria ser livre? Ô se queria! Mas consciente de que sua autodeterminação não significava a limitação da autonomia dos outros indivíduos, pelo contrário, são as relações intersubjetivas moldando comportamentos e construindo regras facilitadoras da convivência coletiva.

Estava perfeitamente consciente que sua sobrevivência é dependente de uma perfeita sintonia entre o livre arbítrio e a imperiosa necessidade de boas regras de convívio coletivo.

Seja bem-vinda liberdade, estenda suas mãos à democracia, desta composição nasce a esperança coletiva de um mundo mais harmônico.

Mimila K Rocha

Sobre joaoantonio60

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